sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Caros Amigos: O sargento, o marechal e o faquir

   Texto de Rafael Guimaraens sobre o seu mais recente livro, O sargento, o marechal e o faquier que foi publicado na Caros Amigos.

Ditadura: O Sargento, o Marechal e o Faquir
Por Rafael Guimaraens

    Conhecia há muito tempo o “Caso das Mãos Amarradas”, uma história emblemática ocorrida em 1966, nos primórdios da ditadura militar. Foi muito divulgado à época, primeiramente porque ainda não havia a censura férrea à imprensa, que seria instaurada dois anos depois pelo Ato Institucional nº 5. Segundo, porque nos primeiros dias não se sabia que o corpo encontrado às margens da Ilha das Flores, em Porto Alegre, se tratava de um perseguido político.


    Há cerca de dez anos, meu interesse pelo caso ganhou outra dimensão à medida que fui conhecendo o perfil e a trajetória do sargento Manoel Raymundo Soares. Nascido em Belém do Pará, de uma família muito pobre, mudou-se para o Rio de Janeiro com a intenção de servir ao Exército. Com 20 anos, já alcançava o posto de sargento.

    Autodidata, leitor compulsivo, amante da música clássica, destacava-se pela inteligência, a humildade e a bravura, embora tivesse pouco mais de um metro e meio de altura. Integrava a vanguarda do movimento dos sargentos de intensa atuação entre a Campanha da Legalidade que garantiu a posse de João Goulart na Presidência da República, em 1961, e o golpe militar que derrubou do poder, em 1964.

    Neste período, o Brasil viveu tempos de altíssima voltagem no campo político, no qual tudo estava em disputa. Os sargentos do Exército Nacional entraram no jogo para valer. Questionavam a hierarquia militar, defendiam seu direito à representação no Parlamento e, na medida em que a conjuntura se radicalizava, assumiam posições cada vez mais atrevidas pelas reformas de base, formando uma frente de lutas com a União Nacional dos Estudantes, o Comando Geral dos Trabalhadores e as Ligas Camponeses.
Soares, como os demais líderes do movimento, foi expulso do Exército logo após o golpe militar. Seria preso em Porto Alegre, quando seu grupo, autodenominado Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), tentava organizar um levante dos quartéis, a partir de entendimentos com o ex-governador gaúcho Leonel Brizola, que se encontrava no Uruguai.
Brutalmente torturado e mantido preso ilegalmente por cinco meses, seu corpo seria encontrado com sinais de tortura e as mãos atadas às costas.

    O Sargento, o Marechal e o Faquir conta a trágica história desse personagem peculiar. Na primeira parte, o livro traça um perfil de Manoel Raymundo Soares e do movimento dos sargentos. Sua trajetória é recontada na relação com dois outros personagens que, no livro, são coadjuvantes. Um deles, ilustre, é Castelo Branco, primeiro ditador do regime militar, que inicialmente pretendia que a presença dos militares no poder fosse breve – tratava-se de “livrar o Brasil do comunismo” e reestabelecer uma democracia formal, burguesa, de direita, sem riscos de um novo governo de esquerda ou populista –, mas acabou adotando uma sucessão de medidas autoritárias. O outro é Edu Rodrigues, um pintor de cenários e informante do Serviço Nacional de Informações (SNI), que armou a emboscada para a prisão de Soares. Anteriormente, ele fora o “Príncipe Aladim”, um faquir fracassado.


    A segunda parte trata das investigações policiais para identificar os culpados e toda a comoção popular em torno da misteriosa morte do sargento. A história é narrada em linguagem de romance político-policial, na qual os fatos e provas vão surgindo e apontando para a responsabilidade dos órgãos de segurança no assassinato. Foi o primeiro caso de repressão da ditadura com ampla cobertura da imprensa. Em 2005, sua viúva conseguiu, após mais de 30 anos de batalha judicial, responsabilizar a União pelo crime, conforme decisão do Tribunal Federal de Recursos da 4ª região de Porto Alegre.

    Link para a matéria no site da Caros Amigos: http://carosamigos.com.br/index.php/cultura/7689-ditadura-o-sargento-o-marechal-e-o-faquir

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Entrevistas: Miram Tolpolar

     Na semana passada foi lançado o livro Receitas da casa das tias. A artista plástica Miriam Tolpolar reuniu as receitas da sua família em um livro que além de saboroso é lindo pois contém diversos desenhos da artista. Para saber mais sobre o livro acesse nos links abaixo as entrevistas com a autora.


Quem perdeu a entrevista da artista Miriam Tolpolar no programa Toque de Arte (Rádio da Universidade | UFRGS), no final de semana, pode conferir no link abaixo.

       Um papo sobre afetos, sabores e arte. A artista Miriam Tolpolar conversou com a jornalista Carol Anchieta sobre a edição do livro “Receitas da Casa das Tias” (Editora Libretos).

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Crítica do livro O sargento, o marechal e o faquir na Folha

     Saiu no último sábado, 20/08, no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo uma resenha crítica do livro O sargento, o marchal e o faquir de Rafael Guimaraens. Para ler a matéria clique aqui


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fotos: lançamento Receitas da casa das tias

    No último sábado, 20/08, aconteceu na Palavraria o lançamento do livro Receita da casa das tias da artista plástica Miram Tolpolar, veja como foi:










sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Nos jornais: Receitas da casa das tias

    Matérias do Jornal do Comércio sobre o lançamento do livro Receitas da Casa da Tias de Miriam Tolpolar, que será lançado neste sábado 20/08 na Palavraria à partir das 11h.


Entrevistas com Miriam Tolpolar

     Ouça as entrevistas da artista plástica Miriam Tolpolar sobre o lançamento de seu livro Receitas da casa das tias, no qual ela traz as receitas de família que marcaram a sua vida e para deixar o livro ainda mais especial ele é recheado com desenhos da artista:

    Confira a entrevista da artista Miriam Tolpolar sobre como surgiu a ideia de compor o livro "Receita da Casa das Tias" (Editora Libretos). O áudio inicia em 42"42'. Para ouvir clique aqui

    A jornalista Camila Kehl também conversou com a artista Miriam Tolpolar no programa Atômica da Unisinos FM. Para ouvir clique aqui

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Autores: Miriam Tolpolar


    Miriam Tolpolar é artista plástica, Mestre em Poéticas Visuais pelo Instituto de Artes da UFRGS e professora de Litografia do Atelier Livre da Prefeitura, em Porto Alegre.


    “Apaixonada pela gravura, desde 1996, venho me dedicando à litografia, objeto de minhas pesquisas técnicas e conceituais. Minha obra dialoga com questões relacionadas à memória, identidade e repetição e gosto de investigar suportes pouco convencionais.  Por tudo isso me encantei com os cadernos de receitas das tias!”

    Desde 1983 vem participando de Salões de Arte, exposições coletivas e Bienais de Gravura no Brasil e no exterior, tais como Argentina, Japão, Seoul, China e Egito e, ao longo de sua carreira recebeu inúmeros prêmios, como o II Prêmio Açorianos de Artes Plásticas - Destaque em Gravura, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. 

    Em 2014 lançou o livro Memória da Litografia: pedras raras da Livraria do Globo, contemplado para publicação em edital do FAC/RS, Secretaria Estadual da Cultura e em segunda edição.