Autor de Esquina Maldita e Nega Lu, uma dama de barba
malfeita, Paulo César Teixeira estará em Conversa de Bar, no Porto Carioca
(republica - 188 - Cidade Baixa – Porto Alegre, Rio Grande do Sul). Prestigie!
Dia 18 de abril.
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quarta-feira, 4 de abril de 2018
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Libretos na Jornada Literária Jornalística
Em comemoração dos seus 74 anos o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindijors) está realizando a Jornada Literária Jornalística. Ontem (21 de setembro) foi o primeiro dia e aconteceram três painéis a Libretos participou de todos.
O primeiro painel foi sobre Jornalistas e escritores com a participação de Júlio Remy e de Paulo César Teixeira, autor de três livros publicados pela Libretos, são eles: Darcy Alves - uma vida nas cordas do violão, Esquina Maldita e Nega Lu - Uma dama de barba malfeita (Vencedor do Prêmio Ages 2016 na categoria não-ficção).
Já o segundo painel reunião jornalistas editores com a participação de Tito Montenegro, Gustavo Guertler, Flávio Ilha, Denise Nunes e Clô Barcellos, proprietária e diretora da Libretos.
Fotos: Marco Nedeff
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Jornada Literária Jornalística
A Libretos irá participar da Jornada Literária Jornalística
que acontecerá nos dias 21, 22 e 23 de setembro. Com participações dos autores Rafael
Guimaraens, Paulo César Teixeira e Fabricio Silveira. Além da
participação de Clô Barcellos, designer, diretora e sócia da Libretos.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Prêmio Ages Livro do ano 2016
No dia 05 de agosto aconteceu a noite do Livro e foram
anunciados os vencedores do Prêmio AGES Livros do ano 2016.
O livro Nega Lu - Uma dama de barba malfeita de Paulo César Teixeira venceu na categoria não ficção. Outros livros editados pela Libretos ficaram entre os finalistas: Águas do Guaíba de Rafael Guimaraens, com ilustraçãoes de Edgar Vasques e fotos de Marco Nedeff e Ricardo Stricher; L. - novela de mistério de Antonio D. Cattani e Histórias de Viamão de Vitor Ortiz.
Além disso, outros autores da Libretos concorreram com livros lançados por outras editoras como Breno Camargo Serafini, Léo Gerchmann e Alcy Cheuiche.
Parabéns à todos!
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Paulo César Teixeira |
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Finalistas da categoria Especial |
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Finalistas da categoria não ficção |
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Nega Lu - Finalista do Prêmio Ages

Luiz Airton
Farias Bastos havia decidido não mais atender pelo nome de batismo – agora, era
a Nega Lu. A despeito da condição de “preto, pobre e puto” (como se
autodefinia, com amarga ironia), encontrou lugar na paisagem urbana. “Onde a
gente ia, lá estava a Nega Lu”, sublinha Tânia Carvalho. “Uma lady de voz grave
e barba malfeita”, na definição de Renato Del Campão, cantava em corais
sinfônicos, aprendia balé clássico e marcava presença em vernissages, shows no
Araújo Vianna e concertos no Salão de Atos, além de bater ponto na Esquina
Maldita. “Comíamos sanduíche aberto e discutíamos Godard e Fellini à mesa do
bar, enquanto a Nega Lu passava de peito estufado, bordando movimentos no
espaço como um ser esvoaçante”, retrata a Magra Jane. E complementa: “Quando
via que o ambiente estava ficando sério ou pesado, soltava uma piada com aquele
vozeirão e já saía. Preferia dar seu show de loucuras na calçada”. O autor do
livro, jornalista Paulo César Teixeira, o Foguinho, escreveu também Esquina
Maldita, o gueto cult em Porto Alegre nas décadas de 1960 a 1970, e Darcy Alves –
Vida nas Cordas do Violão, biografia do artista (falecido em 2015), ambos pela
Libretos. O livro “Nega Lu...” foi financiado pelo concurso
Fumproarte/SMC/Prefeitura de Porto Alegre.
Sobre o
Autor
Paulo César Teixeira
frenquentou a Esquina Maldita na segunda metade da década de 1970, a principio
quando estudava no Julinho e, depois como aluno do curso de Comunicação Social
da UFRGS. Com textos em Istoé, Veja, Época, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo
e Diário do Sul entre outras publicações, lançou em 2010 o livro Darcy Alves –
Vida nas cordas do violão (Editora Libretos), biografia do violonista Darcy
Alves, parceiro de boemia de Lupcínio Rodrigues. Em 2005 e 2008 Paulo César, o Foguinho recebeu
o Prêmio ARI (Associação Riograndense de Imprensa) de Reportagem Cultural por
Um certo Erico Veríssimo e A Rua da Margem, ambas publicadas na revista
Aplauso. Em 2012 o autor lançou o livro Esquina Maldita (Editora Libretos) e em
2015 lançou o livro Nega Lu – Uma dama de barba malfeita (Editora Libretos)
terça-feira, 21 de junho de 2016
Finalistas do Prêmio Ages na Nuvem de Livros
Dois dos 4 títulos da Libretos que concorrem ao
Prêmio Ages- Livros do ano estão disponíveis para leitura na Nuvem de Livros.
Águas do Guaíba: de Rafael Guimaraens, com fotos de Marco
Nedeff, ilustrações de Edgar Vasques fotos aéreas de Ricardo Stricher–
concorre na categoria especial
Nega Lu: uma dama de barba malfeita:de Paulo César Teixeira -
Concorre na categoria Não ficção
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Saiba mais sobre os nossos finalistas do Prêmio Ages
Para saber mais sobre os livros da Libretos que
são finalistas do Prêmio Ages – Livros do ano 2016 acesse os links dos livros:
Águas do Guaíba: http://goo.gl/j9Wjag ( de Rafael
Guimaraes, com fotos de Marco Nedeff, ilustrações de Edgar Vasques fotos aéreas
de Ricardo Stricher – concorre na categoria especial)
L. Novela de mistério: http://goo.gl/lNjHhf (de
Antonio D. Cattani – concorre na categoria Narrativa longa)
Nega Lu: uma dama de barba malfeita: http://goo.gl/cFs72o (de Paulo
Cesar Teixeira - Concorre na categoria Não ficção)
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Títulos publicados pela Libretos estão entre os finalistas do Prêmio Ages - Livros do ano
Saiu no último dia 14 a lista dos finalistas do Prêmio Ages –
Livros do ano. Dentre eles estão quatro títulos publicados pela Libretos em três categorias diferentes. Parabenizamos os nossos autores por este reconhecimento, assim como a todos os demais finalistas.
Os nossos livros que ficaram entre os finalistas são:
Narrativa Longa
L. Novela de mistério /Antônio Cattani
Especial
Águas do Guaíba/Rafael Guimaraes
(Com fotos de Marco Nedeff, ilustrações de Edgar Vasques e fotos aéreas de Ricardo Stricher)
Não-ficção
Nega Lu / Paulo Cesar Teixeira / Libretos
Histórias de Viamão / Vitor Ortiz
Na próxima etapa, os escritores sócios da AGES definirão os
vencedores, a serem divulgados na noite do livro, 5/8/2016, sábado, em
cerimônia no Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo.
Para ver a lista completa dos finalistas acesse: http://www.ages.org.br/?nid=7760
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Prêmio Ages Livro do Ano - 2016
Saiu a lista final das inscrições
homologadas do Prêmio Ages Livro do Ano - 2016.
Cinco livros editados pela Libretos estão concorrendo em
três categorias:
Especial
- Águas do Guaíba - Rafael Guimaraens, com fotos
de Marco Nedeff e Ilustrações de Edgar Vasques.
Narrativa longa:
- Imóveis Paredes - Miguel Da Costa Franco
- L. novela de mistério - Antonio D. Cattani
Não-Ficção:
- Histórias de Viamão - Vitor Ortiz
- Nega Lu, uma dama de barba malfeita - Paulo César
Teixeira
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Paulo Cesar Teixeira fala sobre a Faculdade de Arquitetura da UFRGS
“A faculdade era um imenso bar, naquilo que os bares têm de
filosófico, lúdico, quixotesco. Muitos de nós devemos à faculdade não uma
profissão, mas uma visão de mundo. Um tempo que foi curto, mas que nos deu
pistas de que a vida poderia ser diferente, criativa, justa, divertida.”

Artigo sobre a Faculdade de Arquitetura da UFRGS nos anos 60
na ZH de sábado, 26/1/2013.
POLITIZAÇÃO E DESBUNDE
Assim se projetou uma geração
A Faculdade de Arquitetura da UFRGS refletiu a rebeldia dos
anos 1960. Por lá passaram diversos personagens e personalidades
Uma sexagenária que acompanhou a trajetória de sua geração,
a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS foi uma espécie de point de
descolados que sintonizou Porto Alegre com os movimentos de vanguarda política,
estética e comportamental que se alastravam pelo mundo nos anos 1960.
A escola que completou seis décadas de vida em junho do ano
passado era um “centro convulsionado de inquietações”, como sugere o ex-aluno
Jorge Polydoro, atual presidente do Instituto e revista Amanhã. “Era a
faculdade da moda”, acrescenta Luís Carlos Macchi Silva, o Lico, que ingressou
como estudante em 1965 e hoje é professor da instituição. Em nível nacional, a
arquitetura também estava na moda. O país vivia a euforia causada pela inauguração
de Brasília, em 1960, período no qual a obra de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer
ganhara popularidade. Artistas já famosos ou em vias de se consagrarem, como
Tom Jobim e Chico Buarque de Hollanda, por exemplo, em algum momento de suas
trajetórias foram estudantes de Arquitetura. Em termos locais, a vinculação
histórica da faculdade da UFRGS com o Instituto de Belas Artes (do qual se
originou) fazia com que o curso naturalmente atraísse um contingente de pessoas
ligadas à arte e à cultura.
Não é de admirar que, além de futuros arquitetos, a escola
aglutinasse personalidades que depois se destacariam em outras áreas, como o
escritor Tabajara Ruas e os cartunistas Edgar Vasques e Santiago, além dos
músicos Wanderlei Falkenberg e Cláudio Levitan, nomes ligados ao movimento da
Tropicália gaúcha. Por lá também passou o advogado e jornalista José Antônio
Pinheiro Machado (o Anonymus Gourmet), junto com o irmão Ivan, que anos depois
fundaria a L&PM Editores com o também colega de faculdade Paulo de Almeida
Lima. Sem contar o fotógrafo Luiz Carlos Felizardo e o cenógrafo e dono do Bar
Ocidente, Fiapo Barth, além do empresário Telmo Magadan, que ocupou cargos
públicos como a presidência da EBTU (Empresa Brasileira de Transportes Urbanos)
nos anos 1980.
Edgar Vasques marcara um X em Arquitetura na inscrição do
vestibular por considerá-la “a opção mais parecida com desenho”. Além disso,
“os amigos, as namoradas e todo o debate político e ideológico estava
concentrado lá”, justifica. No período da faculdade, surgiu o Rango, personagem
maltrapilho e esfomeado criado pelo cartunista como antítese da imagem do país
de bonança e fartura alardeada pela propaganda do regime militar, que governava
o país com mão de ferro. Rango fez sua primeira aparição em 1970, nas páginas da
revista Grillus, editada pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura
(Dafa), antes de ser lançado em livro, em agosto de 1974, pela L&PM.
“Ora, professor, nós queremos a revolução!”
Naquele período, a UFRGS vivia uma fase de instabilidade,
que culminou, em 1969, com uma segunda leva de cassações que afastou 20
professores (a primeira ocorrera em 1964, logo após o golpe militar, com 17
docentes sendo aposentados, exonerados ou dispensados). A Faculdade de
Arquitetura foi a mais atingida pelo expurgo. “A verdade é que os melhores
professores foram cassados. Não apenas os que eram de esquerda, também os mais
inteligentes e abertos às novas ideias”, assinala Cláudio Levitan. Em meio à
turbulência, os estudantes iniciaram uma campanha com o sugestivo título de
“Nosso ensino é uma farsa”, que resultou na organização de um seminário para
reavaliar radicalmente o currículo e a metodologia de ensino. A faculdade parou
para repensar a si mesma.
O presidente do Dafa, durante a realização do seminário com
dez dias de duração, era Newton Baggio, que depois ocuparia cargos na
prefeitura de Porto Alegre como secretário de Planejamento, nos anos 1980, e de
Gestão e Acompanhamento Estratégico no mandato do prefeito José Fortunati.
“Muitas das propostas aprovadas no seminário foram adotadas pela direção da
faculdade”, recorda ele. Entusiasmados, os alunos passaram a arriscar novas
linguagens na apresentação dos trabalhos acadêmicos. Um deles escreveu laudas e
laudas na máquina de escrever para depois picotá-las com uma tesoura na frente
do professor. Outro construiu maquinetas de moer bonequinhos para explicar o
fenômeno físico da compressão e, ao mesmo tempo, criticar uma sociedade que
“moía o cérebro das pessoas”. “Tentávamos contorcer tudo do avesso só para ver
até onde podíamos chegar. Depois, o professor que se virasse para dar a nota”,
sublinha Vasques. Alguns docentes entravam no jogo, outros nem tanto. Um dos
mais antigos perdeu a paciência: “Mas, afinal, o que vocês querem?”. Lá do
fundo da sala, ouviu-se a voz de uma estudante: “Ora, professor, nós queremos
fazer a revolução!”. Nem mais, nem menos.
O comportamento dos estudantes da Arquitetura sofria
múltiplas interferências de um mundo que estava sendo posto de cabeça para
baixo. Ao mesmo tempo em que se organizavam para combater a ditadura militar,
os universitários se entregavam de corpo e alma à revolução de costumes que
tomava conta do planeta. “Havia a busca de um caminho alternativo nos moldes do
movimento hippie, que misturava drogas e festas. Casamento aberto, sexo grupal,
vida em comunidade, tudo entrava na pauta”, lembra Levitan.
Neste caldeirão de influências, havia os adeptos do
antropólogo estruturalista francês Claude Lévi-Strauss (1908 – 2009) e os
entusiastas do filósofo alemão Herbert Marcuse (1898 – 1979), autor de Eros e
Civilização, que tentava unir as teorias de Freud e Marx. Outros se encantavam
com o teórico canadense Marshall McLuhan (1911 – 1980), criador da expressão
“aldeia global” e de frases que entraram para o vocabulário moderninho da
época, como “O meio é a mensagem”. Sem falar nos fãs do filósofo, linguista e
escritor italiano Umberto Eco, que chegou a realizar uma palestra no Dafa antes
de ganhar fama.
Na corrida eleitoral para a direção do centro acadêmico, as
esquerdas se dividiam entre o Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, e o
Partido Operário Comunista, o POC. Ligado ao PCB até por questões familiares,
José Antônio elegeu-se presidente do centro acadêmico em 1969 (o pai, Antônio
Pinheiro Machado Netto, foi constituinte pela sigla em 1947). Em outubro do ano
anterior, tinha participado como representante da faculdade do 30º Congresso da
UNE, em Ibiúna (SP), que acabou com a prisão de centenas de estudantes. O
Anonymus Gourmet amargou dois meses de calabouço. Quando voltou, havia perdido
a data das provas e teria sido reprovado não fosse o gesto de coragem e
solidariedade de professores que decidiram aprová-lo, mesmo sem a realização
dos exames. “Entre eles, estavam o Flávio Soares e o Ari Canarin”, registra o
jornalista, até hoje agradecido.
Em outra trincheira, estavam os defensores da contracultura,
movimento underground que se alimentava das ações e propostas dos alunos do
campus de Berkeley da Universidade da Califórnia, um dos principais palcos do
movimento pacifista dos Estados Unidos nos anos 1960. Carlos Eduardo Weyrauch,
o Mutuca, pioneiro do rock gaúcho, salienta que, ao contrário do que diziam os
militantes partidários, o pessoal da contracultura estava longe de ser
alienado. “Havia um senso crítico apurado com a valorização do psicodelismo e
do rock como postura política e comportamental”.
A tribo da contracultura concorreu à sucessão de José
Antônio com Mutuca na cabeça da chapa. A plataforma eleitoral incluía bordões
do apresentador de televisão Chacrinha – “Eu não vim para explicar, eu vim para
confundir” –, além de propostas desconcertantes como “Faremos o Mirante do
Óbvio no telhado da faculdade”. Mutuca perdeu a eleição por minguados 17 votos
para o grupo de Dirceu José Carneiro, que depois seguiu carreira política como
parlamentar e prefeito de Lages (SC), pelo PMDB. “Quando terminou a contagem
dos votos, fui ao encontro do Dirceu e sapequei-lhe um beijo no rosto, para
espanto e incredulidade dos presentes”, relembra o músico.
Divergências ideológicas à parte, na hora da fuzarca, todas
as alas se divertiam juntas. “O sujeito de esquerda namorava a menina hippie e
vice-versa”, sintetiza Edgar Vasques. Até porque as dezenas de colchões
espalhados pelo chão do Dafa contribuíam para desfazer eventuais discordâncias
políticas. Nas paredes da sala, panos pendurados em cores quentes, como
vermelho e roxo (instalação do artista plástico Flávio Pons) ajudavam a criar
um clima de aconchego.
Para se ter ideia da importância da Faculdade de Arquitetura
da UFRGS na vida cultural de Porto Alegre nos anos 1960, basta citar que o Dafa
foi responsável pela produção do Arqui-Samba, show musical que trouxe à capital
gaúcha – entre 1965 e 1969 – nomes como Baden Powell, Vinicius de Moraes,
Silvinha Telles, Tamba Trio e Chico Buarque. Ainda estudante de Arquitetura da
USP, Chico se apresentou no cine Cacique, em outubro de 1966, uma semana após
ganhar o 2º Festival da Música Popular, da TV Record, com A Banda.
Algum tempo antes, Antonio Aiello (membro da ala cultural do
Dafa) havia negociado o cachê com o artista nos bastidores do programa Fino da
Bossa, de Elis Regina e Jair Rodrigues, em São Paulo. “Tínhamos firmado apenas
um acordo verbal. Mesmo sabendo que poderia exigir três ou quatro vezes mais
(após ganhar o festival), ele manteve sua palavra e não nos impôs nenhuma
condição suplementar. Caráter é um dos componentes desta figura maravilhosa”,
escreveu Aniello em Arquitetura UFRGS – 50 anos de Histórias (Editora da UFRGS,
2002), livro organizado por Flavia Licth e Salma Cafruni em comemoração ao
cinquentenário da faculdade. A última edição do Arqui-Samba, em 1969,
apresentou os tropicalistas Gal Costa e os Mutantes. “Depois do show, levamos
os meninos dos Mutantes para jantar no Barranco. Eu me sentei ao lado da Rita
Lee, uma bela moça que devia ter seus 18 anos”, recorda Jorge Polydoro.
Tropicalismo e golpe de cravelha na cabeça.
O Dafa promoveu ainda o Festival Universitário da Música
Popular Brasileira, no Salão de Atos da UFRGS. Na época, havia um fosso em
frente ao palco, onde se acomodavam os músicos da Ospa para acompanhar os
concorrentes. O festival contou com a participação de atrações nacionais em
começo de carreira, como Danilo Caymmi, Zé Rodrix e Beth Carvalho. A primeira
edição, em 1968, até que foi bem comportada. No ano seguinte, inspirados no
tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil, alguns dos participantes resolveram
“romper as estruturas” , como relata o crítico musical Juarez Fonseca em Porto
Alegre, Anos 60: uma Década Musical Quase Esquecida, artigo publicado no livro
Pensando Porto Alegre (Instituto Hominus, 2012).
O grupo O Succo, liderado por Mutuca, entrou no palco com o
baixista Flávio Dias, o Chaminé, vestido de ceroulas e com um penico na cabeça.
A irreverência foi interpretada como falta de respeito por alguns colegas, como
o pianista e arranjador Geraldo Flach (falecido em 2011). A discussão esquentou
nos bastidores, e Renato Português, que fazia parte de O Succo, acertou a
cravelha de seu contrabaixo elétrico na cabeça de Flach. “Tivemos que levar o
Geraldo até o HPS e ainda passar na delegacia de polícia para registrar a
ocorrência. O que livrou o Português da prisão foi o fato de o delegado de
plantão ser o Luiz Matias Flach (por coincidência, irmão de Geraldo), que
achava que essa gente da música era toda meio doida mesmo...”, conta Polydoro,
que exercia a função de contrarregra. Aliás, a principal dificuldade de
Polydoro para desempenhar suas atribuições era arrebanhar os músicos, que
insistiam em bebericar uns drinques no boteco da esquina. “Havia horário a
cumprir porque o festival estava sendo transmitido ao vivo (em 1968, pela TV
Piratini, e em 1969, pela TV Gaúcha, hoje RBS TV). Era um stress medonho,
porque chegavam sempre em cima da hora.”
Após os incidentes com Flach, O Succo provocou mais uma
estripulia. Uma das surpresas preparadas seria espalhar talco no palco. “Daí
que, empolgado pela música e ainda alterado pela briga, sem mais nem menos,
Português chutou o pacote (de talco industrial) na direção da orquestra postada
no fosso em frente – o que, além de sujar os ternos pretos dos músicos, acabou
com o som dos violinos”, registra Juarez Fonseca. Infelizmente, não há registro
em vídeo dos festivais. “Os rolos de videotape que não queimaram foram
danificados pela ação das mangueiras dos bombeiros para apagar incêndios que
atingiram os canais de televisão”, explica Luís Carlos Silva, o Lico, um dos
organizadores dos shows. Assim, fotos publicadas em jornais da época constituem
as únicas imagens disponíveis. Bem que ele tentou reunir a turma para um novo
espetáculo em 2012. Uma data chegou a ser reservada no Salão de Atos para a
atividade de extensão universitária, que reuniria Danilo Caymmi, Raul
Ellwanger, Wanderlei Falkenberg e Beth Carvalho, mas faltou patrocínio. “Um dia
sai”, suspira Lico.
Não bastasse a programação musical, a Arquitetura atraía a
juventude também pelo “festerê”, como eram chamadas as reuniões dançantes
promovidas no primeiro andar do prédio. Outra área privilegiada era o
anfiteatro com 200 lugares no piso térreo, onde ocorriam espetáculos de música
e teatro. Sem falar nas exposições de artistas plásticos, com charges, desenhos,
caricaturas e quadrinhos. Mas, sem dúvida, o evento mais cult da faculdade era
o Pontinho, realizado nas noites de sextas-feiras no bar da faculdade. “Não sei
por que, o contrato do ecônomo obrigava que ele cedesse o espaço para o Dafa,
uma vez por semana. Convidávamos o pessoal da música para dar canja lá”, relata
Lico. No Pontinho, palco de novas bandas, apresentou-se pela primeira vez em
público o Utopia, trio formado por Bebeto Alves e os irmãos
Ronald e Ricardo Frota. “A nossa geração aprontou bastante. Hoje, fica difícil
bancarmos os velhinhos bem comportados”, brinca Maria Lúcia Sampaio, que
interrompeu a faculdade em 1971, quando precisou se exilar no Chile.
Boa parte dos estudantes da Arquitetura viveu com
intensidade a experiência universitária, mas não saiu com o diploma da
faculdade. É o caso também de Jorge Polydoro e do Anonymus Gourmet. Em 1971,
após uma longa noite de estudos para a prova da disciplina de Cálculo, na casa
de José Antônio, na Rua Santa Terezinha, os dois jovens estudantes tomaram uma
decisão drástica. “Entramos de cabeça nos estudos, mas, quando clareou o dia,
chegamos à conclusão de que não dávamos para aquilo. Combinamos, então, que
entregaríamos a prova em branco e abandonaríamos a faculdade.” E assim o
fizeram.
Pouco importa. Afinal, como escreveu Ivan Pinheiro Machado
no livro em homenagem ao cinquentenário da faculdade, a escola da UFRGS
representou nos anos 1960 uma “espécie de ilha da fantasia” em uma realidade
marcada pelo obscurantismo. “A faculdade era um imenso bar, naquilo que os
bares têm de filosófico, lúdico, quixotesco. Muitos de nós devemos à faculdade
não uma profissão, mas uma visão de mundo. Um tempo que foi curto, mas que nos
deu pistas de que a vida poderia ser diferente, criativa, justa, divertida.”
PAULO CÉSAR TEIXEIRA | JORNALISTA, AUTOR DE ESQUINA MALDITA
(EDITORA LIBRETOS, 2012)
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Lançamento Nega Lu: uma dama de barba malfeita
No dia 10/11 aconteceu na 61ª Feira do Livro de Porto Alegre o lançamento do livro Nega Lu: uma dama de barba malfeita do autor Paulo Cesar Teixeira.
Fotos: Marco Nedeff
Fotos: Marco Nedeff
terça-feira, 20 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Nega Lu de Paulo Cesar Teixeira na ZH
CONTRACAPA ZH - SEGUNDO CADERNO | ROGER LERINA
"O jornalista Paulo César Teixeira, autor dos livros Esquina Maldita
e Vida nas Cordas do Violão – sobre o músico boêmio Darcy Alves –, segue
registrando histórias e personagens de destaque da vida urbana porto-alegrense.
O próximo trabalho do escritor relembra uma figura folclórica da noite da
Capital: Nega Lu, o célebre bailarino gay que subia no balcão do bar Copa
70 e arrasava cantando o clássico do jazz Summertime.
O lançamento de Nega Lu – Uma Dama de Barba Malfeita vai rolar no dia 10 de
novembro, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, com um bate-papo com alguns
amigos dela, como o ator e cantor Antonio Carlos Falcão, a socióloga
Glenda Ávila e Célio Golin, secretário geral do grupo pela livre expressão
sexual Nuances".
Livro da Libretos Editora, com produção fotográfica de Tânia Meinerz e designer gráfico de Clô Barcellos, com apoio do Fumproarte SMC POA.
Festa de Lançamento:11/11, no Espaço Cultural 512
Documentário Nêga Lû, do Coletivo Catarse e Nuances
Show: Eletro 80
DJ Kafu Silva
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