Quando o amor é um vício
Rosane Monteiro Ramalho*
Recentemente, no Rio de Janeiro, participei de um debate por ocasião do lançamento de um livro: A amante do lobo, de Ana Paula Fohrmann (1). A discussão desenvolveu-se a partir de uma relação estabelecida entre seu livro e a obra de Simone de Beauvoir – em especial, A mulher desiludida (2).
A questão que a autora propôs para o debate, e que foi o mote de seu romance, era: como mulheres contemporâneas, independentes, bem sucedidas profissionalmente, acabam presas numa relação de extrema dependência para com seus parceiros, numa relação de submissão a eles.
A questão apresentada pela autora parece ter semelhança com algo que também se encontra, com certa frequência atualmente, nos consultórios: um significativo número de mulheres que acabam se envolvendo com parceiros com os quais elas não conseguem estabelecer uma vida amorosa efetiva. Elas angustiam-se por estas relações serem inviáveis e procuram tratamento em função disto – e por justamente desconhecerem o que as leva a manterem tais relacionamentos, apesar da insatisfação e da angústia que lhes causam.