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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Ela se chama Azelene no Jornal do Comércio

Matéria do Jornal do Comércio
Maria Tomaselli autografa novo livro hoje na PocketStore

Maria Tomaselli autografa o livro Ela se chama Azelene (Libretos, 232 págs., R$ 40,00) hoje, a partir das 19h, na PocketStore (Félix da Cunha, 1167). Na obra, a artista explora temas como desigualdade social e sistema carcerário demonstrando perplexidade frente a um contexto social incoerente e hipócrita.

A narrativa romanceada, fictícia, mas verdadeira, mostra Azelene, presidiária em regime semiaberto aceita para trabalhar em uma casa de classe média, como um conjunto das percepções que a patroa Karolline tem sobre ela. Tomaselli se inspirou em diferentes experiências para escrever sobre esse universo. Há 40 anos, acompanhou Iberê Camargo em suas aulas de pintura para apenados no Presídio Central (que ela prosseguiu sozinha após o retorno dele ao Rio de Janeiro). Outro episódio foi uma viagem de ônibus em que escutou a história de uma passageira.

Ela se chama Azelene é o terceiro livro da artista visual que, às vezes, se aventura na escrita. Já lançou Vito (contos, Escritos, 2017) e Kai (memórias, Escritos, 2014). Nesta obra, ela apresenta também gravuras em metal da série Voos abortados e fragmentos do escritor Fernando Cacciatore de Garcia.

Link para a matéria original: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cultura/2019/08/696197-maria-tomaselli-autografa-novo-livro-hoje-na-pocketstore.html?fbclid=IwAR08w8X94c1dbolQsU7o316iwHn58LsDLsIrIfs2dYfPfYqYIZTahdj-IEk

Edição impressa de 06/08/2019. Alterada em 06/08 às 03h00min

Entrevista com Maria Tomaselli no Jornal Extra Classe

A história de Azelene

Romance de Maria Tomaselli transita entre a ficção e a realidade para mostrar como vivem detentas do regime semiaberto

Por Gilson Camargo / Publicado em 5 de agosto de 2019

O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias femininas do mundo, e as prisões relacionadas ao tráfico de drogas correspondem à maior parte delas. Em um estudo de 2018, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (Dapp/FGV) com dados sobre essas prisões e mostrou que, entre 2000 e 2016, o contingente de mulheres presas cresceu 567%. Se considerados dados atualizados até 2018, o aumento se aproxima de 700%. É um sistema desumano com os jovens, que mantém mais de 40% das pessoas presas sem julgamento, majoritariamente negros, mas essa realidade é especialmente cruel com as mulheres, porque incorre em violações específicas, que vão desde o constrangimento das revistas íntimas à negação do acesso ao corpo, à maternidade, à higiene e ao tratamento de saúde básica. Em 2016, as prisões brasileiras abrigavam 42.355 mulheres. Quando analisada a incidência de prisões para cada 100 mil mulheres, o Brasil chega a 40,6, relação que perde apenas para Estados Unidos (65,7) e Tailândia (60,1). Segundo a pesquisa, 62% das prisões de mulheres no Brasil estão relacionadas ao tráfico de drogas, enquanto, no caso dos homens, o percentual cai para 26%.

“As mulheres muitas vezes são forçadas pelos companheiros a entrarem nesse mundo da droga, para protegê-los, guardar e esconder coisas, camuflar situações, driblar a polícia etc., e muitos homens entram na droga por falta de emprego e educação, por falta de meios de sustento das mulheres e dos filhos. É tudo um grande círculo vicioso. O rapaz não estuda, porque não tem pai e a mãe trabalha fora, por isso não acha emprego, aí fabrica um filho, se manda, é cobrado pela justiça a pagar alimentos, não sabe o que fazer, entra na droga, as mulheres ajudam de uma ou outra maneira para garantir o dinheiro dos filhos e muitas vezes são presas junto”, avalia a artista visual Maria Tomaselli, autora do romance Ela se chama Azelene (Libretos, 232 p.), que será lançado nesta terça-feira, 6, a partir das 19h, na livraria PocketStore (Rua Félix da Cunha, 1167), em Porto Alegre.

O lançamento também abre a exposição Voos abortados, com as gravuras em metal que ilustram a publicação. Embora não se trate de um livro sobre prisões, ao narrar o cotidiano da presidiária do regime semiaberto que dá nome à história, a autora transita entre a ficção e a realidade para expor o que acontece atrás das grades. A narrativa se estrutura a partir dos diálogos e do choque entre as realidades de Azelene, presa por tráfico que passa as noites no presídio e trabalha como empregada doméstica durante o dia; e de sua patroa, Karolline Santiago. “Maria Tomaselli escreve como quem filma, fotografa, pinta frações da realidade que ouve, vê, fala e que, afinal, motivam o que sente. Os atores importam, riem e sofrem. O cenário é transitório. Indiferente. Fixo. Pictórico”, anota o músico e escritor Arnaldo Sisson no prefácio. “Elas São inocentes, sim, sem serem. Um sofisma”, relata a autora nesta breve entrevista.

Extra Classe – Por que um romance sobre uma detenta do regime semiaberto? Qual foi a sua motivação?
Maria Tomaselli – Um dia entrei num ônibus e sentei ao lado de uma moça em cuja perna vi por um minuto, antes que ela a tapasse melhor, uma tornozeleira eletrônica. A moça viu que eu a vi, e começou a me contar que agora estava melhor, porque podia dormir em casa, mas no semiaberto estava brabo… e começou a me contar.

EC – A narrativa transita entre a ficção e a realidade, mas a história tem conexão com uma história real?
Tomaselli – Eu criei então uma história fictícia, mas com elementos verdadeiros, fora do presídio é invenção, dentro baseado no que ela me contou.

EC – Quem é Azelene?
Tomaselli – Criada, inventada, mas todos poderíamos ser Azelene.

EC – Ela é inocente?
Tomaselli – Em certo sentido, sim, em outro, talvez não totalmente.

EC – Há 40 anos, a senhora acompanhou o artista plástico Iberê Camargo em aulas de pintura para os detentos do Presídio Central, em Porto Alegre. Qual a relação?
Tomaselli – Sem referências diretas com Azelene, apenas o clima geral da injustiça, dos maus tratos, da insegurança jurídica, das dificuldades em conseguir tratamento de saúde.

Link para a matéria original: https://www.extraclasse.org.br/cultura/2019/08/a-historia-de-azelene/?fbclid=IwAR1hv7MXwy7rnP9eo3ZL-9kSmQ-MNVmbSpon6r1-xP_ybXGojBRhZsXshVQ

sábado, 3 de agosto de 2019

"Ela se chama Azelene" - Maria Tomaselli

Texto sobre o livro "ela se chama Azelene" publicado por Eduardo Penteado Lunardelli
em 2 de agosto 2019

Acabo de receber e ler o ultimo livro da Maria Tomaselli. Como todo mundo sabe, é uma artista plástica consagrada em Porto Alegre e muitas outras paragens. Em 2014 escreveu o romance Kai. Em 2017 nos brindou com Vito, livro de contos. E agora "Ela se chama Azelene". Como em sua obra consolidada, de pinturas, desenhos, e gravuras com forte marca pessoal, seus textos tem essa marca, mas estão numa deliciosa evolução. Tive o privilégio de ler os originais dos primeiros capítulos do Kai. Dei palpites. Me achava um velho escritor orientando uma iniciante talentosa. Depois veio o livro de contos abrindo novas fronteiras e sempre criativa e experimental. Como sua arte plástica. No caso deste novo livro, fartamente ilustrado pela autora, tive ainda o prazer de poder ter participado da vaquinha virtual para edita-lo. A generosidade da To, como assina seus desenhos e gravuras, presenteou cada participante, com uma gravura em metal, nas técnicas água-tinta e água-forte, do ciclo Voos Abortados. O livro com uma edição primorosa, cheia de sutilezas e detalhes de cores, gramaturas do papel, diagramação, e ilustrações que convidam o olhar, o pegar e consequentemente ler. E aí a grande e grata surpresa. Uma história deliciosa. Envolvente, e cheia de suspense. Aqui o artista plástica encontrou a fronteira da boa ficcionista e escritora que é. Hoje se equivalem. Quem gosta de livros, como eu, não pode deixar de possuir, manusear, ler, e conhecer "Ela se chama Azelene". É um livro, mas também um objeto para todos os sentidos. A história um relato fiel das mais profundas misérias humanas, contada de forma genial.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Sessão de autógrafos - Ela se chama Azelene

"... o texto mostra um indivíduo, Azelene, presidiária aceita para trabalhar em uma casa de classe média, como um conjunto de percepções que a patroa tem sobre ela. Percepções e interpretações, nunca certezas." 

Do prefácio do músico e escritor Arnaldo Sisson


sexta-feira, 5 de julho de 2019

"ela se chama Azelene" na Zero Hora

    Matéria sobre o livro "ela se chama Azelene" de Maria Tomaselli que será lançado amanhã 6/7 ás 11h na Galeria Gestual.

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